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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Diários de amantes (parte III)

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  A realidade nua e crua chegara, ficara tarde e todos estavam a deixar o local, extraordinariamente surge a pergunta «Podemos ficar, que achas?» … E ficámos. Sentámo-nos de frente à lua e ao seu reflexo no rio. Estava frio, e aquela brisa era cortante. A noite já não era aquela criança inocente, estava a tornar-se demasiado silenciosa e pouco acolhedora. Coloquei o meu braço por cima do seu ombro, usei o pretexto de ela tremer por causa do frio e tentei aquecê-la com o meu calor. Não tive sucesso pois a minha ansiedade reacendeu devido aquele gesto e agora tremíamos os dois em frente à lua. Achei um teatro bonito, até porque os romances não têm sempre a mesma história. A verdade é que, estava, estranhamente a adorar aquele momento e não queria que ela saísse de perto de mim, não queria largá-la de maneira nenhuma.
  A ingratidão do tempo revelou-se e levantamo-nos calma e tristemente para que a despedida demorasse mais um pouco. A verdade é que ela só teria de acontecer alguns metros depois, mas não havia problema em abraça-la antes. Caminhamos até perto da estação de comboios. Não poderíamos desejar uma cena romântica, em que o vapor dos comboios se confundisse com o bafo quente que saía das nossas bocas e que se dissipava no frio da noite, pois os comboios não eram mais a vapor e não estava assim tanto frio. A verdade é que tudo se tornara romântico pois não conseguia-mos largar-nos mais, fosse por causa do frio, ou por causa de quer-mos mesmo estar perto um do outro.
  Um ruído vindo de longe anunciou a chegada da máquina que nos levaria até ao nosso destino. A temperatura no interior do combóio obrigou a que eu não permanece-se tão perto dela como desejaria, de qualquer modo, resolvi emprestar-lhe o meu cachecol uma estação antes daquela em que ela sairia. Depois de o enrolar em volta do seu pescoço, saiu deixando um rasto de perfume inesquecível. Eu permaneci sentado e limitei-me a olhar pela janela, vendo as luzes a passar rapidamente enquanto eu mantinha na minha mente a imagem do seu rosto, com aquele sorriso tímido que não conseguia disfarçar sempre que me dirigia a ela.

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