Novo blogue, Diz-se: adeus! Veja agora!

domingo, 19 de setembro de 2010

Histórias do aMar e do Morrer

  Há uns dias atrás encontrei a alma de um velho amigo. Encontrei-o por acaso, enquanto dormia, daquelas acasos que acontecem. Começou a falar-me da sua vida e a contar-me uma história que girava assim:
   “Velho amigo, não sei se já te contei, noutra ocasião esta história, mas não será de mais ta relembrar para que as tuas memórias se revolvam e vejas de novo esta novela que se passou comigo.
   Se bem te lembras, nos meus tempos de marinheiro, andava eu lá pelos mares, pelas águas vítreas que cobrem essa grande parte do planeta, quando uma melodia suave e encantadora me ecoou na cabeça. Foi quando passei uns rochedos que apontavam para uma gruta no final do meu caminho. A melopeia continuava e eu seguia-a como se fosse um perfume de mulher que chamava por mim. Como sabes, as estórias referem que por esses mares existem as Sereias, aquelas belas criaturas mitológicas que vivem no fundo dos oceanos e quando avistam homens no mar, lançam a sua cantoria de sedução para depois os atraírem até eles e segundo contam as tais estórias, matarem-nos.
   Eu não sei bem porquê, nunca mais me veio à ideia tal coisa, e deixando-me levar pela bonita cantoria, avancei até ao interior da gruta e quando lá entrei uma bela jovem cantava apoiada numa rocha em frente a um pequeno lençol de água onde se via o reflexo de uma donzela. Ela chamou-me, com certeza que eu fui. Caminhei lenta e receosamente até ela e quando já estava suficientemente perto, ela tocou-me. Abraçou-me. Beijou-me. Lembro-me daquela caverna durante longos dias. O certo é que nunca mais me lembro de voltar ao mar, nem da Sereia, mas agora que falo contigo, me recordo, meu amigo.
   A Sereia, bela e persuasiva que me levou para ela, lançou-me um feitiço qualquer, não penses que é baboseira, mas depois de a beijar, nunca mais senti o que era respirar. Acho que me matou. Aquela iníqua e perversa Sereia. Eu bem que me lembro de a ver a transformar-se, pensei de ser eu a sonhar, mas agora que reflicto, bem vejo que na verdade ela era uma farsa. A sua pele sedosa, cor de mel, a transformar-se numa pele seca e acinzentada; o seu rosto liso e puro como a água, a transformar-se numa ressequida cara, com uma boca enorme e com uns dentes aguçados; e aquela cauda, ela não a tinha quando lá cheguei, mais tarde pude vê-la, como era encantadora, tinha escamas de variados tons e todos eles reluziam com a pouca claridade que entrava pela gruta, mais tarde, sabes o que vi? espinhos, foi o que vi. Não mais vi cores, tudo era cinzento e sem graça. Maldita.
  E terminou, chorando e desvanecendo-se.

Sem comentários:

Enviar um comentário

ora diga: Bingo!