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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A Felicidade (parte I)

  Há muito tempo atrás, quando as casas eram redondas, as unhas cresciam para trás e os cabelos eram azuis, uma menina chamada de Felicidade decidiu fazer uma promessa. Correu para o monte mais alto, do ponto mais alto do mundo, onde as nuvens faziam cócegas na ponta do nariz como as barbas de um avô, quando lhe beijamos a bochecha. Subiu o mais rápido que pôde e gritou o mais alto que conseguiu:
  – Que sejam as casas quadradas, que cresçam as unhas para a frente e que sejam os cabelos castanhos se algum dia a felicidade acabar neste mundo que é meu e de todos aqueles que alimentam todos os dias aquilo que será para sempre a nossa casa! – e caiu de joelhos no chão, desfalecendo e começando a chorar como se tudo fosse desabar à sua volta.
  Passados alguns dias a Felicidade adoeceu e não pôde sair mais de casa, começou a ficar inerte e não se sentia mais ela própria, sentia fome, uma escassez tão grande, um desejo de alimentação que não tinha. Não sabendo mais que fazer e, sofrendo porque não a alimentavam, a Felicidade morreu, faleceu no leito da sua casa redonda.
  Nessa noite, as casas viraram quadrados, as unhas começaram a crescer para a frente e os cabelos mudaram para castanho. Não mais se viu um sorriso e não mais se ouviram risos naquela que era a cidade da felicidade, a cidade que viu morrer aquilo que alimentava o dia-a-dia de cada um, a Felicidade.

2 comentários:

  1. Magnífico!
    Como sempre uma excepcional originalidade e um óptimo poder criativo!
    Estou desejosa de ler a Parte II, espero que venha bem depressa...!
    Quem sabe se as casas não voltam a ser redondas?

    Felicidades.

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